quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

De volta às críticas... (Construtivas claro!)

Hoje tirei o dia para vos falar de algo que podemos considerar um dos pilares da democracia: a cidadania. Confundir o conceito de cidadania é confundir o conceito de democracia.
A história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos humanos. A cidadania esteve e está em permanente construção. É um referencial de conquista da humanidade, através daqueles que sempre lutam por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e colectivas, e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja do próprio estado ou de outras instituições ou pessoas que não desistem de privilégios, de opressão e de injustiças e ostentação contra uma maioria desvalorizada e que não se consegue fazer ouvir, exactamente por que se lhe nega a cidadania plena. Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. Direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade, enfim, direitos civis, políticos e sociais. Mas este é um dos lados da moeda. Cidadania pressupõe também deveres. O cidadão tem de ser consciente das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a colectividade, a nação, o Estado, para cujo bom funcionamento todos têm de dar a sua parcela de contribuição. Somente assim se chega ao objectivo final, colectivo: a justiça no seu sentido mais amplo, ou seja, o bem comum. Falo de justiça a nível económico e social. Se falarmos da história da cidadania em relação ao que se passa no presente, podemos ver falhas muito perigosas no que toca ao futuro. A apatia da juventude é um perigo para a sociedade na medida em que uma democracia prevalece girando em torno dum conjunto de valores que estão implícitos numa constituição que tenta abranger toda a população dum país. Sendo que é um direito ser ouvido e é um direito escolher os representantes dos poderes executivo e legislativo, é também um dever votar conscientemente como prova de atenção e preocupação com o país e as decisões politicas que o envolvem. A conversa sobre a política não é bonita de se ouvir hoje em dia e até chateia muitas vezes. O que tem passado para a mentalidade dos mais jovens é que a corrupção que há na política é uma boa desculpa para não se interessarem e se afastarem do assunto. Temos muitos casos de bons jovens: sucesso escolar, mais tarde boas carreiras profissionais… No entanto muito maus cidadãos! Cidadania é também importar-se com o que se passa à nossa volta. Provavelmente se alguém se lembra-se de instaurar um novo regime político, não interessa em que base filosófica, muita gente seria a favor, mas a favor inconscientemente. Não podemos viver sempre na ilusão que qualquer outro regime possa ser melhor que o actual em que vivemos! Temos é que ser bons cidadãos! Amigo do amigo! É mais simples deitar abaixo um regime político do que erguer um novo em que se satisfaça as necessidades sociais de toda a gente!
Cada vez mais me convenço que a cidadania e o activismo juvenil local são a solução para diminuir em grande escala a criminalidade. O associativismo, o voluntariado, a entreajuda são valores de um espírito que não deveria perecer na sociedade. Essa ocupação manteria as pessoas longe do crime. O ser humano é um ser social. A sociedade pode moldar completamente um indivíduo. Não podemos deixar “apodrecer” o meio que pode mudar mentalidades e comportamentos. Temos que implantar a cidadania como parte da educação na nossa sociedade.
Estamos a precisar de filhos bem educados e de bons cidadãos! Temos que conciliar!

Dois problemas ainda sem solução...

Hoje parei um pouco para fazer uma pequena reflexão sobre alguns problemas quotidianos. Não me quero meter em politiquices, já que não sou muito disso quando escrevo, mas realmente cada vez mais penso que deveria haver eleições todos os anos. É que se houvesse teríamos um país com uma obra fenomenal. É fantástica a quantidade de obras públicas que vemos desde há uns meses. Os senhores autarcas tendem a consertar a oxidação das canalizações de quatro em quatro anos na esperança de conquistar mais uma meia dúzia de fãs que se possam juntar à sua nobre causa na “(re)candidatura”. Isto não pretende ser uma crítica mas sim uma chamada de atenção! Para quem é eleito, a boa obra que faz durante os quatro anos é a sua verdadeira campanha! Não podemos “levantar o esplendor de Portugal” com obras baseadas na mediocridade e no cinismo da política. A política devia ser um sistema justo onde realmente o proveito próprio não fosse o objectivo. Não quero com política justa falar duma política que se baseie só e apenas num sistema com leis específicas e completamente absolutas. Em diversas áreas como a segurança social, por exemplo, o ensino, e outras, existem casos muito específicos que não há leis gerais que possam resolver o caso duma maneira realmente justa. É também verdade que um sistema que não se baseie em regras absolutas é também um sistema muito complicado e considerado inviável de praticar, visto que estamos a falar de democracia. É realmente um problema a debater e a pensar.
Outra coisa que também devia ser considerada é o facto do nosso baixo nível de exportação nos limitar o nosso poder para sairmos da tão falada crise. Mesmo que Portugal esteja realmente a mostrar alguns sinais de regeneração e de melhoria, esta melhoria é também limitada. Se nós importamos mais do que exportamos quer dizer que temos uma nítida necessidade de “encosto” ao estrangeiro. Isto cria uma reacção em cadeia. Se os países de quem “dependemos” não superarem a crise como é que nós vamos supera-la? Como é que um país estrangeiro em crise pode exportar a preços baixos se está em crise? Não pode! E isso para nós é um problema. E outro problema é o facto de estarmos na união europeia. Enquanto país que exporta produtos não deveríamos aplicar o mesmo preço de exportação a um país mais rico do que nós e um país mais pobre do que nós. Claro que isto é também um problema quando falamos da nossa importação. Estamos na união europeia, portanto, se estivermos a importar um produto francês ele será importado ao mesmo custo para nós e para a Espanha que tem um maior poder de compra. Claro que os países com menor poder de compra não desenvolvem, visto que essa dita “igualdade” não induz a produção em quantidades astronómicas que façam explodir o PIB. Esta igualdade económica é na realidade uma desigualdade e temos de arranjar forma de contornar esta situação se queremos viver num país livre de problemas financeiros em todas as classes sociais.