Hoje tirei o dia para vos falar de algo que podemos considerar um dos pilares da democracia: a cidadania. Confundir o conceito de cidadania é confundir o conceito de democracia.
A história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos humanos. A cidadania esteve e está em permanente construção. É um referencial de conquista da humanidade, através daqueles que sempre lutam por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e colectivas, e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja do próprio estado ou de outras instituições ou pessoas que não desistem de privilégios, de opressão e de injustiças e ostentação contra uma maioria desvalorizada e que não se consegue fazer ouvir, exactamente por que se lhe nega a cidadania plena. Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. Direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade, enfim, direitos civis, políticos e sociais. Mas este é um dos lados da moeda. Cidadania pressupõe também deveres. O cidadão tem de ser consciente das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a colectividade, a nação, o Estado, para cujo bom funcionamento todos têm de dar a sua parcela de contribuição. Somente assim se chega ao objectivo final, colectivo: a justiça no seu sentido mais amplo, ou seja, o bem comum. Falo de justiça a nível económico e social. Se falarmos da história da cidadania em relação ao que se passa no presente, podemos ver falhas muito perigosas no que toca ao futuro. A apatia da juventude é um perigo para a sociedade na medida em que uma democracia prevalece girando em torno dum conjunto de valores que estão implícitos numa constituição que tenta abranger toda a população dum país. Sendo que é um direito ser ouvido e é um direito escolher os representantes dos poderes executivo e legislativo, é também um dever votar conscientemente como prova de atenção e preocupação com o país e as decisões politicas que o envolvem. A conversa sobre a política não é bonita de se ouvir hoje em dia e até chateia muitas vezes. O que tem passado para a mentalidade dos mais jovens é que a corrupção que há na política é uma boa desculpa para não se interessarem e se afastarem do assunto. Temos muitos casos de bons jovens: sucesso escolar, mais tarde boas carreiras profissionais… No entanto muito maus cidadãos! Cidadania é também importar-se com o que se passa à nossa volta. Provavelmente se alguém se lembra-se de instaurar um novo regime político, não interessa em que base filosófica, muita gente seria a favor, mas a favor inconscientemente. Não podemos viver sempre na ilusão que qualquer outro regime possa ser melhor que o actual em que vivemos! Temos é que ser bons cidadãos! Amigo do amigo! É mais simples deitar abaixo um regime político do que erguer um novo em que se satisfaça as necessidades sociais de toda a gente!
Cada vez mais me convenço que a cidadania e o activismo juvenil local são a solução para diminuir em grande escala a criminalidade. O associativismo, o voluntariado, a entreajuda são valores de um espírito que não deveria perecer na sociedade. Essa ocupação manteria as pessoas longe do crime. O ser humano é um ser social. A sociedade pode moldar completamente um indivíduo. Não podemos deixar “apodrecer” o meio que pode mudar mentalidades e comportamentos. Temos que implantar a cidadania como parte da educação na nossa sociedade.
Estamos a precisar de filhos bem educados e de bons cidadãos! Temos que conciliar!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
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